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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Rock In Rio... e o seu personagem principal: o Rock.



Caros amigos, a esperança de me verem publicando algo novo é a última que morre em vocês. Se caso for verdadeiro a sensação de falta, deixem que eu toque meu projeto para frente; e que cada novo texto seja composto de gratidão a vocês ao invés de esfarrapadas desculpas. Muitos temas deixei passar, talvez por falta oportunidades de me ver livre em mente para produção de algo genuíno. Nada mais oportuno como a celebração de um ritmo musical que definiu toda uma cultura a partir da segunda metade do século passado e influenciou gerações posteriores na medida em que ele ia se desenvolvendo: o Rock’n’Roll. A oportunidade encontrada não poderia ser outra se não a realização de um evento de grande porte – o Rock in Rio – que de antemão, visaria a celebração deste fenômeno tão marcante para a cultura juvenil do século XX. No domingo passado encerrou-se a sua quarta edição: o Rock In Rio 2011. Tal evento aconteceu em sete dias, intercalados nos períodos de dois finais de semana consecutivos. Foram sete dias de muitas atrações nacionais e internacionais e um espaço físico cuidadosamente arquitetado segundo a temática Rock, o qual foi batizado de Cidade do Rock.

Acompanhando o evento pela televisão, eis que me comporto como um espectador eufórico e incapaz de fazer uma análise fria sobre fatores envolvidos numa dimensão tão grande de articulação corporativa. Isso porque qualquer influência negativa em relação à realização do evento torna-se facilmente ignorada já que a atração principal era uma só: o rock. Nenhuma outra atração contida na programação que não correspondesse a este estilo musical (e que estaria presente no evento visando uma maior venda de ingressos) poderia ofuscar esta percepção de um ouvinte apaixonado por batidas escandalosas acompanhadas de guitarras distorcidas. Nem os problemas burocráticos e corruptos poderiam impedir a sua realização, já que ele agora se manifestava em sua quarta edição, com presença tão forte quanto as das edições anteriores; e que devido ao longo espaço de tempo entre as suas realizações, acabou por coincidir com momentos importantes da história do Brasil. Só para citar um exemplo: a primeira edição do Rock In Rio aconteceu no período de abertura democrática do país, em plena eleição de Tancredo Neves. Tal fato foi festejado no momento dos shows, o que não poderia deixar de ser, já que a cultura do rock está subjetivamente relacionada com o espírito revolucionário e libertário dos jovens desde a década de 60. E por falar em década de 60 e em espírito revolucionário, não podemos nos esquecer do festival Woodstock, realizado em 1969 no interior dos Estados Unidos. Aquele evento grandioso e cheio de falhas em sua estrutura ficou marcado na história como um grito juvenil contra a guerra do Vietnã que naquele momento acontecia. Uma celebração da paz e do amor em forma de música, mesmo que equivocadamente acompanhado de muito consumo de drogas e sexo inseguro. Tudo isto ilustra um pequeno – e talvez bobo, não sei bem em que medida – fato: o rock dita comportamentos, pensamentos e atitudes para os jovens. Produziu fortes subjetividades em outras épocas, e os grandes festivais nada seriam se não fosse a matéria-prima de sua idéia: Rock, Rock, Rock... and Roll.

Há muita coisa a ser dita de um modo geral quando o tema é rock’n’roll. Afinal são 60 anos de muitas bandas, inovações no estilo, movimentos estéticos e por aí vai. Só para ilustrar, desde que o rock deixou de ser somente rock, vários subgêneros foram criados: Album Rock, Glam Rock, Rock Progressivo, Hard Rock, Heavy Metal, Punk Rock, Grunge, New Metal; e porque não Pop Rock? Cada um desses subgêneros de rock possuiu a sua forma única de compor e se expressar, bem como símbolos específicos adotados pelos seus apreciadores, todos jovens adolescentes e adultos jovens. Há os que não curtiam rock e que o discriminavam, dizendo que era tudo igual e que a batida não mudava apesar das inovações, tornando-o limitado. Há os preconceituosos mais radicais, dizendo que é só barulho (aludindo somente aos subgêneros do heavy metal). De fato, o rock é mesmo limitado, considerando que a sua base musical é composta apenas de guitarra, baixo, bateria e voz; mas isso não impediu que o rock surpreendesse em termos de criatividade e inovação. O que se mantém comum a todos os seus subgêneros talvez seja a mais fantástica experiência subjetiva de se cultuar um um estilo de música: quem gosta de rock, geralmente gosta muito mesmo; e não se contém quando dá vontade de gritar e de se mexer. Aos meus leitores, desculpem se me comportei como uma Gruppie apaixonada. Mas é que, do Rock, eu sou isso mesmo.