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terça-feira, 17 de maio de 2011

Primavera no mundo árabe






O que acontece quando você pretende seguir em frente em um projeto de blog quando uma notícia impactante toma conta dos pensamentos? Provavelmente, muitas notas e textos deveriam emergir sucessivamente da massa cinzenta. Mas e quando não é esta a proposta do projeto, quando a intenção de querer falar de tudo um pouco se choca com acontecimentos múltiplos? É bem certo que a coisa desande. É o que tem acontecido comigo, quando me dei de cara com os acontecimentos do mundo árabe, e sem conseguir ordená-los, acabo por atrasar outros textos que julgo importantes, mas cujos desenvolvimentos esbarram na metodologia que impede que algo inacabado dê espaço para novas produções. O jeito encontrado para o fechamento de tal Gestalt é não resumir os fatos, e sim, expor a minha visão pessoal a respeito deles, de uma maneira clara e objetiva.




A mais de uma semana que notícias impactantes não param de surgir sucessivamente. São realmente fatos de grande relevância para a cultura ocidental que, quando se apresentam aos nossos olhos e ouvidos (seja através da TV, rádio ou internet), nos posicionamos diante do aparelho como espectadores maravilhados e excitados com o poder da transmissão. De todos os acontecimentos que tenho testemunhado, escolhi um para tratar especificamente neste post: A Primavera Árabe. Trata-se de um fenômeno que está ocorrendo no oriente médio (que é vulgarmente chamado de mundo árabe devido a cultura islâmica que existe na região), mas que se aplica de forma apenas semelhante, também, ao continente africano. Tal fenômeno diz respeito à derrubada de Ditaduras opressoras da população, bem como a consequente instauração da democracia naqueles países. Teve início com a Queda de Zine El Abidine Ben Ali na Tunísia por parte de levantes populacionais, seguido da queda do presidente Mubarak, no Egito pelo mesmo processo, e protestos recorrentes na Síria, Líbia e outros países do oriente médio; todos provocados pela população de cada um destes países, afim de acabar com seus governos de longas datas.




O fator mais importante é a produção de subjetividade em grande escala que está se processando no lado de lá – fenômeno que não exclui as especificidades de cada país do continente. Algo semelhante vem também acontecendo na África, mas não vou precisar focar, já que entendendo um dá para entender o outro. O processo ao qual me refiro é o da instauração da democracia em países de ambos os continentes, em substituição a governos totalitaristas. De democracia temos conhecimento pleno desde filósofos clássicos como Aristóteles até o tratado das Nações Unidas do Direito da democracia: “Todo o poder emana do povo a ele está assegurada a autodeterminação dos povos em suas esferas políticas, econômicas e culturais”, assim está escrito no documento da ONU. Associando esta definição aos fatos rapidamente relatados no parágrafo anterior, percebe-se que a produção de subjetividade no mundo árabe tem a democracia como um valor a ser alcançado na política, um ideal inédito, um divisor de águas que, mais do que representante de algo bom, representa algo necessário para a política internacional que visa unir os povos, instaurar a paz no mundo e superar as desigualdades sociais.




É importante destacar o que muitos jornais já destacaram: a importância da internet nesse processo. É de praxe saber que a internet permite que a informação se torne acessível para todo um povo governado pela censura; mas, mais importante ainda é saber que, com o seu avanço as produções de subjetividade acontecem muito mais rápido. O que antes era visto como um processo quinquenal, hoje pode ser acompanhado no decorrer de uma década. Tal processo se assemelha à mudança comportamental dos jovens, que se inserem nos meios sociais mais rápido, e portanto, mais rápido alcançam mais rápido se rebelam contra um sistema familiar, processo que mais tarde apresenta, também o seu equívoco, no que tarda um jovem rebelde a sair da casa dos pais. Nesse sentido, esperamos que seja diferente no mundo árabe, que eles realmente encontrem a sua primavera, pois o mundo anseia por isso.




E por falar em ansiar, nimguém menos que os Estados Unidos para delegar tal sentimento. A participação do exército americano na implantação da democracia naqueles países não tem nada de imperialista como muitos idiotas costumavam pensar. É algo necessário para a economia, que hoje uma ciência dotada de pensamento sistêmico, reconhece a sua dimensão global, onde as partes de cada lugar geram turbulência em todo o sistema, que está em constante processo de mudança. Isso significa que, o interesse econômico dos estados unidos neste processo não diz respeito somente a eles, mas a todos os outros países do mundo inteiro. Se eles querem comprar e vender petróleo, nós também sentimos os efeitos, no preço da gasolino. Ora, é muito fácil falar mal dos estados unidos em nossa cultura anti-americanista classe média, mas e quando o preço da gasolina sobe, será que gostamos?




Por último, eis que muito satisfatoriamente termino esta breve insuniação sobre algo muito grande. É da democracia que falamos e destacamos como tema central. Da maneira como ela se apresenta, pode não ser a maneira ideal, mas a sua idéia é. Até agora, não vi na história da humanidade, outra forma mais adequada de governo. Já se foi o tempo das ditaduras, sejam elas socialistas (como foi o caso da ex união- soviética, dos países do pacto de Varsóvia, da américa latina, coreia do norte – que infelizmente ainda resiste- e china), sejam eles teocráticas (como o caso do mundo árabe)... e Adeus século XX.