sábado, 26 de maio de 2012
Deus no ramo da salvação dos homens na terra
sexta-feira, 16 de março de 2012
A mediocridade é uma Coletânea de sucessos.

Homenageio, aqui-e-agora (parafraseando Fritz Perls), um velho amigo homonimamente chamado Mateus. Não sei por onde ele anda e nem o que anda fazendo, mas eu desejo todas as coisas boas possíveis para ele. Ele costumava dizer que a “mediocridade é uma coletânea de sucessos”. Isso porque a coletânea de sucessos não traduz a criatividade mais profunda do artista; enquanto ele se lasca pra criar toda uma discografia, uma obra musical (no caso dos artistas musicais), chega um fila da puta qualquer e escolhe vinte músicas de uma obra de mais de quarenta discos desse artista para montar uma coletânea. Mais medíocre ainda seriam os ouvintes que se intitulam conhecedores e adoradores do artista quando só conhecem aquelas músicas inclusas na coletânea. Isso seria mediocridade para mim: conhecer o superficial enquanto se considera um profundo conhecedor; espalhar belos discursos e defender opiniões sobre as quais não se tem profundidade a respeito. É preciso ter o bom senso de perceber a sujeira que se torna cada vez mais os meios culturais por onde você circula, uma vez que as pessoas aprendem cada vez mais com as suas palavras superficiais. Trate de algum assunto que você conhece com profundidade e você sentirá um tratamento diferenciado das pessoas com relação a você. E ainda digo mais, sentirás isso mais intensamente quando puderes casar esse conhecimento com os valores positivos que você tem, tornando-os claros paras as pessoas. Isso porque a humanidade clama por bons exemplos - quando elas não ficam cegas por suas mediocridade, lógico. Seja profundo em assuntos interessantes e relevantes para se conversar, e dê a sua opinião sobre eles; inclua neles os seus valores positivos... enfim, seja uma Obra original, não uma Coletânea.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
AMOR (de novo) ... que porra é isso?

Esse é um tema bem recorrente em textos meus deste desenfreado blog; mas como se trata de um tema proposto por Daniel Násser – que entrou na brincadeira Desafio Textual, idealizada pelo meu primo Mário Barros – vale a pena dissecar um pouco mais sobre o devido assunto. Continuo repetindo que Amor é um termo bastante vago no dicionário brasileiro, podendo ele significar coisas algumas como: afeição, compaixão, misericórdia, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. Também é muito variado os contextos em que o amor se manifesta: Relação sexual, atividades diversas (profissional, ocupacional, hobbies, etc.), relações de amizade, relações familiares, religiosidade, gestos de caridade, e novamente ... etc.
São tantos etc.’s que eu fico perdido ao decidir sobre que tipo de amor irei dissertar. Dúvida rápida e passageira, pois sempre acabo por decidir falar sobre o amor mais evidente e problemático de todos: o amor sexual... esse que é constantemente confundido com paixão. Desde que comecei o meu blog que tenho ousado falar deste tipo de amor sem tanta propriedade, pois nessa minha atual existência – que neste ano celebram trinta anos – ainda não tive a bênção de vivenciá-lo enquanto experiência real, vivida e confirmada. Penso nele todos os dias quando estou só – na cama, na rede de balançar ou diante da janela virtual do facebook – ou em público – quando vejo casais se beijando nas baladas. Nunca tive talento para conquistas. Conquistei algumas garotas sem muito esforço, pois não foram aquelas que eu queria. Quando eu me interesso por alguma garota, alguma coisa sempre dá errado, e essa sempre tem sido a minha sina. É por esse motivo que não tô tão motivado para falar de amor agora... prefiro usar essas delongas apenas como enchimento de linguiça, cuja finalidade é bater a meta do desafio proposto por Daniel Nasser. Por sinal, estou atrasado, já deveria ter postado essas bobagens a três dias atrás.
Bom, acho que o amor dos casais (o dito amor sexual) só pode ser considerado amor quando a etapa da paixão é superada. Paixão é a primeira etapa da formação de um casal, e como tudo mundo já sabe disso, não adianta explicar demais. É quando os sentimentos em relação ao outro são intensos – promessas de que o relacionamento irá durar. Tudo é intenso: a atração, o tesão, o ciúmes (até os sentimentos negativos entram), as identificações, e blá, blá, blá. Só sei disso na teoria. Já o amor, pode-se dizer que ele começa quando as intensidades diminuem, dando lugar a sentimentos mais nobres e duradoudos: Companheirismo, compreensão, cumplicidade... e a velha identificação. É quando um casal passa por crises; porém, diante destas, percebe que é melhor manter a relação do que se afastar, pois a partir dela, conseguiram criar um modo de vida a dois. É quando se assemelha, em alguns aspectos, ao amor de pai e mãe, considerando o modo de vida ao lado deles que por eles foi proporcionado. Acho que esse amor existe nos dias de hoje, mas é muito frágil, quando vivemos numa sociedade de consumo que dá uma nova lógica às relações a dois: qualquer pessoa do sexo que lhe atraia, seja ela anônima ou conhecida, pode representar uma possibilidade de relação, não importando mais o seu status social, etinia, idade ... basta apenas que ambos os lados queiram que haja a relação. Assim sendo, o que significa você optar por uma pessoa para ser o seu parceiro? Significa excluir todas as outras opções. É um peso muito grande.
Ano passado teve o caso de uma tia minha que se separou do seu marido porque sentiu que o amor havia acabado. Na verdade, não foi o amor, foi a atração sexual. A relação deles durou 23 anos. O mesmo aconteceu com uma amiga minha, no final do ano passado. Depois de quatro anos de relacionamento, ela percebeu que não sentia a atração que sentia antes pelo seu parceiro. O interessante desses dois casos é que o motivo pelo qual as duas mulheres deixaram de sentir desejo sexual pelos seus parceiro foi o mesmo: os parceiros se acomodaram nos seus modos de vida, deixando a ambição de lado, e, consequentemente, permitindo o esvanecimento do sentimento de admiração que as mulheres sentiam por eles. Tem algo de muito significativo nisso: Além da beleza física (principal elemento da atração), há um forte conteúdo de ordem ocupacional que despertam o interesse das mulheres em relação aos homens. Mas isso é pano para uma outra discussão. Por hora, acho que o amor é isso. Xau.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Preconceito

Bem, aqui estou, sentado diante do universo de onde pareço ter nascido, pronto para mais uma elaboração sem – ou talvez cheia de – paralelos. Hoje o tema é... “preconceito”. Esse daí surgiu a partir de uma brincadeira saudável proposta pelo meu primo Mário Barros, onde um de nós dois lançamos um tema por semana, e a partir disto, cada um elabora o seu texto. Na ocasião, foi a minha vez de lançar mão do tema, e a primeira palavra que a minha mente criativa me presenteou foi: Preconceito. Então vamos lá. Sabe quando você cruza com uma pessoa desconhecida na rua, festa, novo emprego... onde quer que você esteja? Pois bem, não se trata apenas de ‘mais um desconhecido’. Trata-se do NOVO. Universo inexplorado, e que por ser isto, poderá te afetar de várias maneiras. Só que nunca estamos preparados para o impacto do Novo (universo inexplorado) em nosso Self. Ou, melhor dizendo, nunca estamos seguros quanto à imunidade do nosso Self frente ao impacto do novo. Logo, que outra reação a chegada desse Novo pode nos causar a não ser uma específica: o Medo? Medo de nos desestabilizar; medo de escorregar diante desse misterioso novo a ponto de passarmo a olha-lo de baixo para cima. Em seguida, vem as reações contra este medo, aquelas que caracterizam o preconceito na maneira como o conhecemos: discriminação, rejeição, crítica, aversão. De uma forma geral, tais reações sucedem uma análise bastante superficial da maneira como a pessoa se apresenta, levando em conta apenas a sua imagem.
Esta pequena e resumida explanação (qualidade textual que não se trata de novidade para aqueles que já estão habituados a ler meu blog) apenas sugere aquilo que me propus a colocar como ideia central para este tema: O preconceito é muito mais do que discriminação racial, sexual e social. É, também, mas vai muito além; e como ilustração disto, basta prestarmos atenção a outros tipos de discriminação que ainda não chegamos a levar para o plano das discussões de idéias. Existe preconceito contra gordos, conta fumantes, contra pessoas de meia idade, etc., etc., etc. Nunca vi um gordo feliz com a sua imagem refletida no espelho; e muito menos, um gordo transitar pelo social isento de críticas por parte de outras pessoas quando aos seus dotes físicos. E os fumantes? Já foram mais felizes um dia, quando a sociedade não correspondia aos padrões politicamente corretos da saúde e eles podiam fumar o quanto quisessem em bares e restaurantes. Pessoas de meia idade? Essas última tem voz e atitudes dignas de respeito num mundo globalizado onde se valoriza apenas o espírito e a aparência jovem?
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
um ano sem tio Benito

E para terminar mais um ano de Blog, um texto sobre tio Benito encomendado por Daniel Nasser, que atua no blog Sub Rosas (http://subrosa13.blogspot.com) e que fez uma homenagem para ele depois de um ano de sua morte, reunindo textos de diversas personalidades da cidade Macau, sobre a figura que foi Benito Barros...
"Não é fácil abrir mão de palavras sobre Benito Barros, mas já se que se trata de um pedido originado dos sentimentos de um amigo meu e conterrâneo do homenageado, eis que acendo o pavio. Convivi muito pouco com ele, pois apesar de ser meu tio, vivemos em lugares diferentes: ele em Macau e eu em Recife. Não que a distância física determine a distância espiritual, a não ser quando cada um dos entes possui um sentimento especial pela sua terra. Ele soube expressar esse sentimento melhor do que eu tô tentando, mas nada como boas referências para desenvolver tal atitude. Seu material a respeito da sua cidade interessa a estudiosos de várias áreas acadêmicas: Sociólogos, antropólogos, engenheiros, linguistas, filósofos, geógrafos, historiadores, teólogos, cientistas políticos, e por aí vai... basta que eles possuam Macau como tema de referência.
Mas prefiro aproveitar essas breves linhas para tratar da pessoa dele segundo a minha perspectiva parental. Minhas lembranças remotas de tio Benito advindas do meu período de infância - aquelas que podem definir com a máxima sinceridade possível – remetem a um cara que falava alto e grosso, mas que afinava a voz quando bebia: um cara ativamente mal-humorado em tensa sobriedade e alegre em solene embriaguez. Assim como eram seus estados de embriaguez eram seus momentos de ressaca, quando ele, anarquicamente, resolvia interferir nas brincadeiras dos meus primos (coincidentemente, seus queridos sobrinhos). Lembro de uma vez que nós estávamos tentando fazer um filme com uma daquelas câmeras antigas (meados dos anos 90) de VHS, e ele teve o atrevimento de atrapalhar as cinco cenas do nosso carinhoso projeto cinematográfico (ambientando no paraíso tropical de barreiras). Também me lembro das pescarias no mar, onde caminhávamos raios de metros mar seco adentro em busca de carangueijo, ou somente para olhar a diversidade biológica do mar. Lembro-me do seu iate, na maioria das vezes, estacionado na praia, onde servia mais como bar do que como barco de pesca.
Quando criança, meu contato com Tio Benito era mais frequente por causa das férias. Na adolescência, devido à moratória requisitada pela idade, as opções de ser e estar eram diferentes daquilo, e a cidade Macau começou a parecer mais distante. Assim como foi com a cidade, foi meu contato com Tio Benito, que raras vezes saía de lá. Mas meu pai e meus tios e tias sempre mantiveram contato com ele, que adorava receber boas notícias dos sobrinhos. Eu percebia que ele gostava das produções artísticas dos sobrinhos: vide sua admiração pela banda Incredible Scroobs (do meu primo Paulo) pelo meu Maracatu, desenhos do meu primo Mário, e outras coisas mais. Há cincos anos que eu levei meu maracatu para se apresentar em Macau para desfilar na campanha do candidato Eduardo Lemos em uma eleição para prefeito que aconteceu extraordinariamente em janeiro. Fomos muito bem recebidos por Tio Benito: Ficamos hospedados na sua casa e ao final, ele presenteou cada um dos meus batuqueiros com um vinho chileno o qual eu não me recordo o nome (tratamos de degusta-lo o quanto antes).
Ele vibrou muito em nossos desfiles pela cidade. Minha última lembrança dele foi no aniversário de 80 anos de vovó Terezinha. Ele estava sentado do lado de fora do salão, onde ele poderia fumar e beber o quanto quisesse. Passei uns quarenta minutos conversando com ele; e dessa conversa, eu me lembro dele dizer que estava preocupado com a situação dos jovens em Macau, que estavam - em considerável número – se afundando na dependência química (mais especificamente do crack). Também me lembro dele recitar um discurso em forma de poema sobre vovó, tão brilhante e emocionalmente estoico como ele sempre foi. Termino este texto da mesma desejando que a eternidade seja um bom lugar para ele (Deus deve ter precisado dele como secretário geral do Universo, pra tê-lo levado assim tão de repente), e tal como a eternidade seja o eco da pronúncia de seu nome na cidade de Macau e nas próximas gerações da família Barros."
Feliz 2012 para todos...
Nunca percam as esperanças!!!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Nostalgia e Reggae


Já chega, desta vez passei tempo demais sem escrever. Bati o recorde de preguiça e me acomodei no conforto angustiante das redes sociais enquanto não transformava uma gota de pensamento em palavras. Vamos ver agora como anda o meu pique. Mas agora o clima é mesmo de paz e conforto; pois após um período de letargia mental que se apossou de mim devido a uma nuvem negra que pairou sobre a minha cabeça em novembro, eis que chega dezembro em clima de retrospectiva de um ano que se vai. Ao invés de retrospectiva, algumas pessoas como eu preferem recorrer a recordações mais antigas, o que dá vazão a um sentimento ambíguo, provocador de prazer e desprazer ao mesmo tempo: a nostalgia. Tal sensação diz respeito ao prazer de reviver algo que já foi felizmente vivido, e, também, ao desprazer de cair na consciência de que este tempo não volta mais. É uma espécie de sentimento pelo irreal, por imagens que permanecem apenas na memória em contraste com uma realidade cujas imagens apenas deixaram marcas. Talvez a época do natal remeta um pouco à nostalgia de forma arquetípica, pois na data dele, comemoramos o aniversário do nascimento do nosso grão mestre, que há séculos não vive mais entre nós, mas que paira no nosso inconsciente coletivo.
Minha prosaica sintonização com a nostalgia aconteceu em peso quando, por acaso, resolvi utilizar os artifícios cibernéticos para encontrar uma canção que tocava frequentemente nas sintonias radiofônicas de Pernambuco, em um período remoto da minha vida. A melodia não saia da minha cabeça, mas a única parte da letra da música que minha memória conservava era uma simples frase que dizia: “Vento norte, protetor... vento norte, tradutor... justiceiro, bendito, ensina a viver nesta terra carente de paz e amor”. Nem sabia qual o grupo que tocava; mas o Google com a sua infinita eficiência localizou rapidamente os autores: o grupo chama-se “Grupo Karetas”; e o nome da música... “vento norte”. Trata-se, na verdade, da primeira canção de Reggae gravada em Pernambuco (no ano de 1983), e, portanto, a primeira inserção do estilo no dito estado do Brasil – vale ressaltar que tal fenômeno antecedeu outro ainda maior: a invasão do Reggae no estado do Maranhão, que só aconteceria lá pelos idos de 1987. Em poucos estantes, estava lá eu me deliciando com o tal vento que vinha do norte e entrava pela janela da minha antiga casa, situada na Rua Capitão Sampaio Xavier, no bairro dos Aflitos.
Tal recuo ao imenso prazer que presenteia a nostalgia me motivou a procurar saber um pouco mais sobre Reggae; adentrar um pouco mais na sua história, seus primórdios. Seu surgimento ocorreu na Jamaica, em meados de fim da década de 60 – período de mudanças culturais ocorridas, paralelamente, em diversos países da américa e da Europa, atingindo o campo das artes com inovações ousada na busca por novas formas. Fusões de estilos musicais que culminavam em um novo estilo eram bastante frequentes; e nesse aspecto, o reggae surge a partir de uma fusão do Rocksteady , o Ska e o Skank. Menos original (porém genuíno) eram as mensagens que as canções de reggae carregavam e carregam até hoje: paz, amor, liberdade e contra as guerras (assim como outros movimentos da contracultura que surgiram como protesto contra guerras como a do Vietnã). Tal mensagem hoje é bastante confundida por maconheiros e porra-loucas que cultuam o reggae como uma extensão das suas lisergias. Ao longo dos anos, alguns pequenos incrementos rítmicos foram inclusos no reggae; porém, tal acontecimento hoje é vitima de resistência por parte dos amantes do reggae que preferem o formato Roots (denominação carinhosa dada ao Reggae de raíz). Isso reflete uma tendência do reggae a ser conservador; e como consequência disto, não somente os amantes do estilo cultuam nomes clássicos como Bob Marley e Peter Tosh, como as próprias bandas que surgem e fazem sucesso entre o público, não apresentam sequer uma inovação musical. Essa preferência pelas raízes da coisa não tem muita semelhança elementar com a nostalgia, mas os termos que os definem se aproximam bastante: Se nostalgia significa reviver (regressar mentalmente a...) uma época que se passou, e raízes está relacionado a origem (algo situado no passado), então, nostalgia e reggae tem tudo (ou muito) haver. E por falar em roots e raíz (a mesma coisa), fui atrás de assistir ao filme “The Harder They Come”, de 1973, estrelado por Jimmy Cliff, um dos patronos do reggae. Nada mais raíz que este filme, que foi um dos principais responsáveis pela divulgação do Reggae fora da Jamaica. Sua história é banal, mas sua trilha sonora é gostosa e nostálgica... um personagem à parte. O reggae é pura nostalgia.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Rock In Rio... e o seu personagem principal: o Rock.

Caros amigos, a esperança de me verem publicando algo novo é a última que morre em vocês. Se caso for verdadeiro a sensação de falta, deixem que eu toque meu projeto para frente; e que cada novo texto seja composto de gratidão a vocês ao invés de esfarrapadas desculpas. Muitos temas deixei passar, talvez por falta oportunidades de me ver livre em mente para produção de algo genuíno. Nada mais oportuno como a celebração de um ritmo musical que definiu toda uma cultura a partir da segunda metade do século passado e influenciou gerações posteriores na medida em que ele ia se desenvolvendo: o Rock’n’Roll. A oportunidade encontrada não poderia ser outra se não a realização de um evento de grande porte – o Rock in Rio – que de antemão, visaria a celebração deste fenômeno tão marcante para a cultura juvenil do século XX. No domingo passado encerrou-se a sua quarta edição: o Rock In Rio 2011. Tal evento aconteceu em sete dias, intercalados nos períodos de dois finais de semana consecutivos. Foram sete dias de muitas atrações nacionais e internacionais e um espaço físico cuidadosamente arquitetado segundo a temática Rock, o qual foi batizado de Cidade do Rock.
Acompanhando o evento pela televisão, eis que me comporto como um espectador eufórico e incapaz de fazer uma análise fria sobre fatores envolvidos numa dimensão tão grande de articulação corporativa. Isso porque qualquer influência negativa em relação à realização do evento torna-se facilmente ignorada já que a atração principal era uma só: o rock. Nenhuma outra atração contida na programação que não correspondesse a este estilo musical (e que estaria presente no evento visando uma maior venda de ingressos) poderia ofuscar esta percepção de um ouvinte apaixonado por batidas escandalosas acompanhadas de guitarras distorcidas. Nem os problemas burocráticos e corruptos poderiam impedir a sua realização, já que ele agora se manifestava em sua quarta edição, com presença tão forte quanto as das edições anteriores; e que devido ao longo espaço de tempo entre as suas realizações, acabou por coincidir com momentos importantes da história do Brasil. Só para citar um exemplo: a primeira edição do Rock In Rio aconteceu no período de abertura democrática do país, em plena eleição de Tancredo Neves. Tal fato foi festejado no momento dos shows, o que não poderia deixar de ser, já que a cultura do rock está subjetivamente relacionada com o espírito revolucionário e libertário dos jovens desde a década de 60. E por falar em década de 60 e em espírito revolucionário, não podemos nos esquecer do festival Woodstock, realizado em 1969 no interior dos Estados Unidos. Aquele evento grandioso e cheio de falhas em sua estrutura ficou marcado na história como um grito juvenil contra a guerra do Vietnã que naquele momento acontecia. Uma celebração da paz e do amor em forma de música, mesmo que equivocadamente acompanhado de muito consumo de drogas e sexo inseguro. Tudo isto ilustra um pequeno – e talvez bobo, não sei bem em que medida – fato: o rock dita comportamentos, pensamentos e atitudes para os jovens. Produziu fortes subjetividades em outras épocas, e os grandes festivais nada seriam se não fosse a matéria-prima de sua idéia: Rock, Rock, Rock... and Roll.
Há muita coisa a ser dita de um modo geral quando o tema é rock’n’roll. Afinal são 60 anos de muitas bandas, inovações no estilo, movimentos estéticos e por aí vai. Só para ilustrar, desde que o rock deixou de ser somente rock, vários subgêneros foram criados: Album Rock, Glam Rock, Rock Progressivo, Hard Rock, Heavy Metal, Punk Rock, Grunge, New Metal; e porque não Pop Rock? Cada um desses subgêneros de rock possuiu a sua forma única de compor e se expressar, bem como símbolos específicos adotados pelos seus apreciadores, todos jovens adolescentes e adultos jovens. Há os que não curtiam rock e que o discriminavam, dizendo que era tudo igual e que a batida não mudava apesar das inovações, tornando-o limitado. Há os preconceituosos mais radicais, dizendo que é só barulho (aludindo somente aos subgêneros do heavy metal). De fato, o rock é mesmo limitado, considerando que a sua base musical é composta apenas de guitarra, baixo, bateria e voz; mas isso não impediu que o rock surpreendesse em termos de criatividade e inovação. O que se mantém comum a todos os seus subgêneros talvez seja a mais fantástica experiência subjetiva de se cultuar um um estilo de música: quem gosta de rock, geralmente gosta muito mesmo; e não se contém quando dá vontade de gritar e de se mexer. Aos meus leitores, desculpem se me comportei como uma Gruppie apaixonada. Mas é que, do Rock, eu sou isso mesmo.


